A SIS realizou, no dia 11 de dezembro, o 16º BIS, o Bate-papo Inclusivo e Sustentável da SIS, dando seguimento à série de eventos dedicados à apresentação de ferramentas desenvolvidas para apoiar o setor financeiro na avaliação de riscos e oportunidades climáticas e socioambientais de setores econômicos específicos.
O encontro promoveu o lançamento dos Questionários de avaliação de riscos e impactos socioambientais e climáticos de empresas dos setores de Mineração, Siderurgia, Indústria de Cimento, Têxtil e Madeira, além de um questionário com indicadores transversais aplicáveis a qualquer setor econômico. A iniciativa, coordenada pela Diretora Executiva e Técnica da SIS, Luciane Moessa, conta com uma equipe técnica qualificada que se debruçou sobre cada um dos setores.


A ferramenta tem o propósito de identificar empresas com desempenho superior à média para premiá-las com condições mais favoráveis de acesso a capital e a mercados, bem como apontar riscos que demandem apoio técnico e/ou financeiro para melhoria do desempenho. Eles também ajudam a identificar riscos sistêmicos em setores inteiros, como alta exposição a riscos de escassez hídrica ou de violação de direitos humanos.
Para Luciane Moessa, o objetivo também é suprir uma lacuna no setor financeiro brasileiro: maior clareza nos indicadores socioambientais e climáticos por setor econômico. “Embora a Resolução CVM 193/2023 traga padrões setoriais para clima (IFRS S2), a regulação bancária, de seguros e de previdência complementar brasileira ainda carece de critérios específicos por setor.”, explicou.
Os questionários foram elaborados a partir de um mapeamento extenso de indicadores em padrões globais e nacionais, além das taxonomias que incluíram esses setores. Os padrões utilizados foram: International Finance Corporation (IFC), Sustainability Accounting Standards Board (SASB), Global Reporting Initiative (GRI), European Federation of Financial Analysts Societies (EFFAS), Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), International Financial Reporting Standards (IFRS S1 e S2), Taskforce on Nature-related Financial Disclosures (TNFD), Exploring Natural Capital Opportunities, Risks and Exposure (ENCORE), Science Based Targets initiative (SBTi) e Climate Bonds Initiative (CBI); Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da B3 e a Instrução Normativa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IN IBAMA 22/2021). As taxonomias consultadas foram: União Europeia, África do Sul, Quênia, China, Singapura, Indonésia, Tailândia, Sri Lanka, Mongólia, Austrália, México, Panamá, Chile, Brasil e Colômbia. Esse mapeamento é complementado por indicadores que constam em padrões de associações setoriais, estudos, relatórios ou artigos científicos, bem como propostos pela equipe de especialistas da SIS. Luciane Moessa destacou a inovação metodológica da SIS, que foi a separação dos indicadores-chave de desempenho em duas categorias: aqueles para os quais a localização da atividade econômica é relevante, como gestão de efluentes ou poluição atmosférica; e aqueles para os quais a localização é irrelevante, como emissões GEE e saúde e segurança do trabalho. Para ver os slides usados por Luciane, clique aqui.
Participaram do debate Priscila Pereira, do Departamento de Sustentabilidade da CNI – Confederação Nacional da Indústria; Christian Riquelme, Gerente de Governança e Participações da PREVI – Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil; e Julio Grillo, do Fórum Permanente do São Francisco, em substituição a Raphael Foscarini, consultor em sustentabilidade na Mineração, que não pode participar devido às fortes chuvas que atingiram a capital paulista. Para ver os vídeos enviados por Raphael quando percebeu que não teria conexão à internet no horário do evento, clique aqui.

Priscila Pereira reforçou que o questionário tem potencial para servir como um guia de temas materiais para os setores, mas alertou para a baixa taxa de relato de sustentabilidade na indústria brasileira, que atinge apenas 41% das indústrias (sendo de apenas 17% entre as PMEs). Ela sugeriu que, devido aos distintos graus de maturidade e portes das indústrias (principalmente pequenas e médias), seria útil diferenciar os indicadores em níveis básico, intermediário e avançado de desempenho, refletindo o processo de evolução e transição. Na indústria têxtil, por exemplo, mais de 90% da cadeia é composta por PMEs (pequenas e médias empresas). Ela destacou ainda a necessidade de educação das empresas sobre temas ASG e os desafios representados pela rastreabilidade da cadeia. E sugeriu que sejam incluídos os indicadores constantes dos questionários CDP.
Christian Riquelme relatou que, na experiência da PREVI, inicialmente não eram usados indicadores setoriais, mas eles passaram a ser usados desde 2023. Ele ressaltou o desafio da captura de dados, observando a baixa cobertura nacional e a defasagem temporal dos provedores de informações, o que exige um trabalho manual intenso e de dupla checagem. Ele enfatizou que o questionário da SIS ajuda investidores institucionais a evoluírem em sua maturidade ASG, especialmente em um momento de atenção redobrada ao tema, já que a PREVIC deve editar em breve norma sobre a integração de fatores ASG nos investimentos.
Júlio Grillo trouxe um forte alerta sobre a transparência e riscos na Mineração. Ele lamentou a falta de transparência sobre os cálculos de segurança das 340 barragens de rejeitos de Minas Gerais, especialmente em relação à sua capacidade de resistir ao aumento do volume de chuvas e extremos pluviométricos. Grillo também abordou as estratégias de greenwashing no setor de Siderurgia, que tem substituído carvão mineral por vegetal para produzir “aço verde”, mas o carvão vegetal é proveniente do eucalipto, que tem causado prejuízos gravíssimos a nascentes hídricas e lençois freáticos, bem como à biodiversidade, no Cerrado brasileiro.
Para assistir à gravação do 16º. BIS, clique aqui.
Os questionários estão disponíveis no site da SIS aqui: www.sis.org.br/questionarios-setoriais/
Os próximos setores a serem abordados são: Água e Esgoto, Construção Civil, Destinação de Resíduos, Energia, Transporte Terrestre e Pesca e Aquacultura.

