Propostas focam na integração de riscos ambientais e sociais, na necessidade de inclusão de fontes de informação mais robustas e de mais transparência em governança

A SIS submeteu ao Banco Central do Brasil (BCB) contribuições à Consulta Pública 127/2025. O objetivo é garantir a clareza e o aprofundamento das regras de divulgação do Relatório de Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticas (GRSAC), assegurando que investidores e a sociedade tenham acesso a dados precisos sobre a exposição do sistema financeiro a riscos ambientais, sociais e climáticos.
Gerenciamento de riscos climáticos em instituições financeiras
Um dos pilares da proposta da SIS propõe que os bancos relatem a dimensão e composição de suas equipes, de modo a ser possível verificar a qualificação e proporcionalidade de suas equipes e do orçamento específico destinado à área considerando os setores econômicos, as localizações das atividades e os valores das transações que compõem as carteiras de crédito e investimentos.
Identificação e monitoramento de riscos socioambientais Banco Central e a relevância da avaliação no processo decisório
A proposta defende que a identificação de riscos não se limite a órgãos federais, como IBAMA e ICMBio, pois a competência ambiental no Brasil é predominantemente estadual e isso deixa de fora a maior parte do trabalho dos órgãos ambientais. A contribuição também detalha que 12 Estados mais o Distrito Federal já permitem consulta online de infrações e outros 8, mais o Distrito Federal, possibilitam a verificação de áreas embargadas. Além disso, sugere-se que, quanto ao monitoramento, que seja divulgada a periodicidade, as transações e os temas abrangidos, bem como critérios usados para essa definição.
A SIS sugere ainda que seja abordado no relatório o tema da relevância da avaliação de riscos sociais, ambientais e climáticos no processo decisório, acrescentando-se o seguinte item:
“descrição do peso da avaliação dos riscos sociais, ambientais e climáticos na tomada de decisão, explicitando o percentual de situações em que propostas de crédito ou investimentos foram negadas por razões climáticas, sociais ou ambientais ou em que foram estabelecidas condicionantes para mitigar os riscos”.
Divulgação de Riscos Físicos
A SIS considera que a divulgação de regiões é completamente insuficiente para visualizar a exposição da instituição a riscos físicos e propõe, no lugar, a divulgação da localização georreferenciada dos empreendimentos financiados, o que permite verificar, com precisão, a proximidade ou sobreposição com unidades de conservação, terras indígenas, territórios quilombolas, hotspots de biodiversidade, florestas públicas não destinadas e outras áreas habitadas.
Inclusão de setores e metas climáticas
A SIS sugere ainda que a tabela que divulga a composição setorial do portfólio inclua setores intensivos em emissões de gases de efeito estufa (GEE) que haviam sido omitidos, como as indústrias de cimento, vidro e a destinação de resíduos, todos já integrados à Taxonomia Sustentável Brasileira. Já na tabela de exposição a secas, defendemos que seja incluído o setor de Água e Esgoto, já que o abastecimento de água é fortemente dependente de recursos hídricos.
No que tange às metas climáticas, defende a substituição do conceito de “redução de emissões” pelo de “redução de emissões líquidas”, considerando não apenas o volume lançado na atmosfera, mas também o impacto das atividades nas fontes naturais de captura de carbono, como florestas e mangues, pois o que importa é a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. Tais medidas visam evitar narrativas genéricas e fortalecer a segurança de todo o mercado nacional.
Planos de Transição e Análise de Cenários
Em relação a esses dois temas, nos quais a minuta de norma foca apenas em riscos climáticos, a SIS propõe que riscos ambientais e sociais sejam incluídos, dada a interdependência entre as várias esferas, apresentando vários exemplos de metas e de fontes de informações que podem ser utilizadas para cenários.
Confira a proposta completa clicando aqui.

